Vinho ruim

 

Já que eu não pude transformar

água em vinho

deixei o copo vazio.

Sim, vi no peito, o vazio.

que tanto me fez sabotar,

tanto.

 

Já que eu não pude transformar

lágrimas em gozo

deixei oculto meu rosto

e desfilei mágoas secas pela rua.

Olhei pro sol e pra lua

que se observavam no horizonte

e disse “vocês dois me bastam”,

mas não bastou.

 

Já que eu não pude,

que seja,

só me traga mais uma cerveja

ao invés desse vinho ruim.

Ah, não, não tenho dinheiro nem pra gorjeta,

enquanto há fúria e fogo em mim.

 

E já que eu não pude

ser cura

doei minha fervura

prum alambique

e transformei “vinho ruim”

em conhaque.

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