O PÁSSARO E O VIOLÃO

Violão no canto

pássaro bicando

sobras de frutas

Eu deitada na rede

fitando o céu indeciso

Queria que chovesse

nem que fossem os prantos

nem que fosse a água

que lava os pratos

Agora o pássaro

encosta no violão

– que imagem estranha –

Penso, enquanto estalo os dedos

– quem mesmo que disse que fazia mal? –

Inevitavelmente, o pássaro vai embora

Inevitavelmente, eu me levanto

Pego o violão,

Aliás, não

nada de música por hoje,

Volto ao descompasso

do meu quarto

deito-me

fito o teto

e ouço pássaros cantando

longe.

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