Tempestade um dia vai acabar

Uma vez estava triste e inevitavelmente escrevi um poema sobre chuva. Era ele:

A chuva fresquinha no teto
 troveja em minha cabeça,
em vão.

Chuva que bate forte, e estia,
bate forte, e estia,
bem-me-quer, mal-me-quer.
pinga indagação

Ah! Chuva… de tanta pinga
fico ébria,
e sem saber o que escrever,
deixo árido o papel.

 Chuva arde e sai pela garganta.
 Chuva ácida com gosto de fel.

Eu pensei “ok, é só mais um poema sobre chuva, o velho clichê da chuva para representar melancolia, tristeza, tempestade de sentimentos. Lição número um da escola primária de atrevimentos poéticos. E mesmo assim é um poema singelo que hoje guardo no peito com carinho, reconhecendo a importância dele para meus arrudeios sentimentais da época.

São inúmeras as canções que falam de chuva. “Chove chuva, chove sem parar”, “Chove lá fora e aqui faz tanto frio”, “Olho para chuva que não quer cessar, nela, vejo o meu amor” e por aí vai. “Experimente tomar banho de chuva”, cantou Falamansa, trazendo outra perspectiva em relação à melancolia de um dia chuvoso. Mas na maioria das vezes tudo que queremos é que a chuva passe. Aí tem uma música lançada no mundo por ninguém menos que Ivete Sangalo, escrita por Ramón Cruz, que se apega na velha metáfora da chuva que passa, para dar lugar ao sol. Uma reflexão sobre paciência, espera, deixar o outro partir, mesmo ansiando pela sua volta.

Deixe um comentário