Um barquinho enguiçou. Um barco com Nara Leão, Ronaldo Bôscoli, Tamba Trio, Roberto Menescau. E o barco enguiçou. Um momento de tensão para surgir uma das músicas com mais leveza da nossa Bossa Nova.
Sempre me disseram que azul era a cor da tranquilidade e sempre associei essa percepção ao fato de ser a cor do céu e do mar. Um dia de céu limpo é ensolarado, e dá a sensação de que tudo está no seu lugar. O nublado por si só já é analogia a sensações turvas, tempestades. É uma turbulência que só.
Mas existe o outro lado do azul, é só trocar o idioma, perceber a ‘blue note’ do blues, a melancolia. E então eu gosto de pensar na melancolia como um desespero calmo. É como um mecanismo que rarea as emoções agitadas, não só as ruins, a ansiedade, o medo, tristeza, mas a satisfação, a alegria. Uma emoção rareada, apática, uma tranquilidade petrificada, como se escondesse no fundo do mar o desejo de voltar à superfície.
E assim voltamos para o mar e aos inúmeros de sentimentos ao seu entorno. Nossa vida é o barco. Pensamos na profundidade do mar, o medo do fundo. Pensamos na paisagem, e cantamos.


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