Quando ouço essa música imagino diálogo já acontecendo, até que ela começa. “E por falar em saudade…”. Palavra de significado profundo que é até difícil traduzir em outras línguas. E usamos com tanta naturalidade, mesmo sem saber ao certo definir esse sentimento com outras palavras. Aí é que entram alguns compositores e poetas, puxando o gancho da palavra e traduzindo sua sensação.
E por falar em saudade… o que lhe vem em mente após as reticências?
Preciso e rejeito a folha em branco O vazio abre ou prende caminhos? Preciso descansar o grito e transbordar arrepios
Preciso da areia seca Preciso banhá-la, e suo Rejeito a areia seca, eu temo soar no escuro
Preciso e rejeito o ócio Meu rosto persegue mudo Não posso calar o vento, Tampouco ignoro o vulto Preciso da folha em branco, no entanto, dela me assusto.
Cantar é uma forma de “evitar que o rancor suas ervas espalhe”. O que eu mais gosto dessa música é um quê de flamenco e a sutileza da narrativa que ela traz, de alguém que se desiludiu por amor, e sobre canalizar a dor em algo maior para que ela não tome conta de tudo o que somos. Transformar em fé, em arte. Não é isso que tentamos fazer?
Música do álbum “Milagreiro”, do Djvan, e interpretada com a participação da Cássia Eller, que torna a música ainda mais marcante.
“Tudo irá se expandir, crescer com as águas, quiçá amores nos corações”
Esses dias decidi rever alguns vídeos do álbum “Um barzinho um violão”, lançado CD e DVD em 2002 pela Universal Music. O DVD abre com a Ivete Sangalo cantando Fullgás, uma das muitas parcerias entre os irmãos Marina Lima e Antônio Cícero. Depois disso tive que ouvir a versão original, da Marina, a do Lulu Santos, entre outras. Lembrei que era uma canção que eu tocava bastante, e que volta e meia as pessoas pediam, e ela estava sempre na ponta da língua (e dos dedos).
A canção começa com uma entrega: “meu mundo você é quem faz: música, letra e dança”. Então vem a palavra “fullgás”, escrita assim mesmo, com dois l’s, do inglês “full gas”, transformando o sentido de fulgaz, que viria de fugacidade e se dissiparia rapidamente, para destacar um outro aspecto: aquilo que é cheio de vivacidade, atitude, coragem. Cheio de gás! Aquilo que lança, lança mais e mais e… Como viver sem algo assim? “então venha me dizer o que será da minha vida sem você”… Um amor esperto, um brinquedo, um amor desperta alegria, que remete à leveza da infância, que não entedia, pois está sempre em movimento.
Por isso a música puxa para cima, em sua versão original, com uma linha de baixo que lembra Billie Jean, de Michael Jackson (e que de fato foi inspirado nela), e que se torna música apetitosa para qualquer pessoa, independente do seu gosto musical. Contém ainda o sentimento de um Brasil dos anos 1980, com a redemocatização do Brasil, ao finalizar com os versos: “você me abre seus braços e a gente faz um país”.
Fullgás segue viva na memória de quem é amante de música brasileira, onde os irmãos, Marina Lima e Antônio Cícero, ecoam. É como expressa seguintes versos do poema “Cícero e Marina”, do Antônio Cícero, que é faixa do álbum homônimo Fullgás (1984):
Minha influência na música bem de berço, e essa música é um exemplo disso. Quando meu pai pegava o violão para cantar, muitas das vezes era pra cantar “Quando penso em você, fecho os olhos de saudaaaaaade”. Então essa música tem um significado para além da indiscutível beleza da canção. Beleza essa que, depois fui descobrir, se deve muito aos versos do poema Marcha, da Cecília Meireles. No final, a canção faz referência a Belchior, da canção Hora do Almoço, e de Águas de Março, de Tom Jobim.
Imagina a cena: uma pessoa observando a outra e, pelos olhos, conseguir perceber que esta outra está buscando ouvir “o som do próprio grito”. Quanta sutileza e sensibilidade apenas nos primeiros versos da música “Esperando aviões”.
Em uma de suas canções, Alma Nua Vander Lee cantou seu desejo de viver menino, e morrer poeta. Assim ele foi eternizado. Dono de alguma das mais belíssimas canções da música brasileira, daquelas que nos tocam profundamente.
Voz e violão: Elisa Cunha @souelisacunha Produção audiovisual: Alua – André Luiz Almeida @andrelualmeida
A mais tocada no karaokê, considerada por muitos o hino nacional, aquela que todo mundo conhece, possui mais de 80 gravações. É ela: a música que não pode faltar no repertório do cantor brasileiro, não importa que estilo ele cante. É certeira, chega na alma, e faz todo mundo cantar junto.
Tem canção que parece que traz uma nostalgia não sei de onde, como se a própria melodia fosse uma lembrança. Não lembro a primeira vez que ouvi Morena Bonita. Só lembro de ter ouvido e parecer tão familiar pra mim que parece que a conheço desde sempre essa preciosidade do Toninho Horta. Há pouco tempo conheci a versão da Anna Setton e me apaixonei mais ainda. Espero que gostem.
Há viagens que duram dias, mas ficam pra sempre na gente. E tem músicas que trazem um gosto bom de memórias. Nesse vídeo canto uma música que é muito especial para mim. Me lembra a primeira vez que fui em Itaúnas-ES, durante o Fenfit, e conheci o compositor Léo Braga.
Descobri que ele escreveu muitas das músicas de forró que eu gostava, e tive a honra de cantar algumas de suas canções, e essa foi a primeira delas: Saudade. Um xote daqueles que grudam na mente, que evocam lembranças, que a gente não quer parar de ouvir e cantar. Essa música faz parte do álbum Pra Bailá, lançado pelo Trio Clandestino, em 2018. E, claro, é uma música que faz parte do meu repertório desde aquela vez que fui a Itaúnas,
Sobre mim
Meu nome é Elisa Cunha, cantora e compositora baiana de 30 anos. Nesse espaço compartilho com vocês meus projetos, rotinas, pensamentos, e o que mais vier. Atualmente, publico vídeos semanais no meu canal Youtube, cantando músicas que são significativas para mim. Possuo algumas canções autorais disponíveis nas plataformas digitais (Spotify, Deezer, etc), e também alguns contos publicados em antologias. Tudo isso vou compartilhando aos poucos por aqui.